Quem sou eu

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Sou formado em Biomedicina e Medicina Veterinária, especialista em Reprodução Humana. Trabalho como embriologista desde 2004, tendo atuado nos maiores Centros de Reprodução Humana da América Latina, com experiência de mais de 5000 casos. Recentemente tive mais um grande motivo para amar e me dedicar ainda mais a minha profissão com o nascimento do meu filho. É um sentimento que desejo para todas as pessoas no mundo e o que eu puder fazer para ajudar aqueles que querem engravidar eu farei. Sendo assim o objetivo desse Blog é de ajudar e informar casais que tem dificuldade de engravidar além de compartilhar novidades e conhecimento com pessoas das áreas da saúde.

terça-feira, 1 de abril de 2014

O uso de telefone celular afeta a fertilidade masculina


Bom dia Gente!!! Tudo bem??

      Falarei hoje de um assunto que pode deixar muita gente preocupada. Quem aqui fica menos de 4 horas com o celular por dia??? Em uma era em que o avanço tecnológico é voraz, a necessidade de informação é como um vírus e nos tornamos dependentes disso tudo, me arrisco a dizer que o cachorro de estimação perdeu seu lugar como melhor amigo do homem para o celular.

Recentes estudos de diferentes e conceituados Centros de pesquisa em Reprodução Assistida – Cleaveland Clinic e outro da Universidade de Queens do Canada, avaliaram os efeitos nocivos do uso excessivo de telefone celular na fertilidade masculina.
A hipótese é que as ondas eletromagnéticas que são emitidas pelos celulares, atuem na glândula pituitária que é justamente a responsável para a produção do hormônio LH (Hormônio Luteinizante).  Este é um hormônio importante para a reprodução e em um dos estudos apresentou níveis baixos em pacientes expostos à radiação que é emitida por telefones celulares. Com a diminuição do hormônio, a testosterona circula de maneira básica, podendo afetar a qualidade dos espermatozóides.
O hábito de mantê-lo no bolso da calça próximo a genitália masculina geraria um “stress” térmico, ou seja, as ondas eletromagnéticas geram um aumento de temperatura na região dos testículos alterando assim os parâmetros seminais com diminuição da concentração, motilidade e vitalidade dos espermatozóides.
As pesquisas mostram que o uso de celular por um período médio de 4 horas por dia é suficiente para percepção dos efeitos nocivos na fertilidade masculina. Ainda, demonstram que esses efeitos não estejam relacionados somente a fertilidade masculina, mas na saúde em geral como demonstrado na figura abaixo.



          Minha opinião: "diversos estudos científicos têm demonstrado o que observo no laboratório – uma queda na qualidade seminal nos últimos anos. Isto provavelmente está relacionado com a piora da qualidade de vida e adoção de hábitos modernos prejudiciais como a utilização de telefones celulares, internet sem fio (wireless), consumo de alimentos industrializados com mais conservantes, aumento da poluição e os já conhecidos vilões cigarro e álcool”. Afirmo ainda que “Os estudos realizados merecem toda credibilidade, no entanto, mais estudos são necessários para elucidar até que ponto as ondas eletromagnéticas dos telefones celulares comprometem os parâmetros seminais”.  
Os tratamentos de reprodução assistida podem auxiliar os casais com dificuldade de engravidar alcançando uma taxa de até 60% de sucesso por tentativa. Os danos causados na qualidade seminal podem ser reversíveis. Sendo assim, uma reflexão sobre a dependência dos utensílios da vida moderna e a busca por hábitos mais saudáveis, são ainda a melhor solução para preservar a fertilidade. 

Depois que li esses estudos, procuro evitar de andar com o celular no bolso, por exemplo entro no carro tiro o celular, vou almoçar tiro o celular do bolso e coloco na mesa, tenho tentado mudar meus hábitos, Faça um teste voce também!!

Abraços! Fiquem com Deus!

segunda-feira, 31 de março de 2014

Aprendendo a Classificação dos Embriões

Olá gente, tudo bem??

Hoje falarei e ensinarei como classificamos os embriões no laboratório, pois tenho visto muitas pacientes que chegam a mim dizendo que foram transferidos bons embriões em sua tentativa anterior em outro local e me mostram as fotos dos embriões. Muitas vezes vemos embriões que eram de má qualidade e não condiziam com a classificação apresentada. Por isso quero ensinar vocês a classificarem os embriões, para que possam saber o que realmente está acontecendo.

A classificação embrionária que explicarei, é baseada em critérios morfológicos e foi baseada de acordo com diversos estudos, que relacionaram fatores morfológicos dos embriões com os resultados de gravidez.

Basicamente avaliamos 3 critérios:

 - Número de Células do embrião: conforme o dia da avaliação o embrião tem que ter um número ideal de células, não pode ter nem mais ou menos células. Por exemplo, um embrião em dia 2 o ideal são 4 células, dia 3 o ideal são 8 células, dia 4 são mais de 16 células - já fica difícil a contagem e damos o nome de mórula e no dia 5 já não conseguimos mais contar o número de células e o embrião atinge o estágio de blastocisto que por sua vez possui outro tipo de classificação mais complexa.

 - Simetria dos Blastômeros: os blastômeros devem apresentar o mesmo tamanho entre si, não é ideal que um embrião de 4 células tenha 2 blastômeros grandes e 2 pequenos, por exemplo.

 - Porcentagem de Fragmentação: a fragmentação que o embrião produz está relacionada a falhas no metabolismo e na divisão celular, seria como se fosse fragmentos de descarte que o embrião produz. Portanto, quanto mais fragmentos um embrião produz de pior qualidade ele é, ao contrário quanto menos fragmento - melhor ele é.

Vamos entender do que estou explicando nessa ilustração abaixo:


Agora vejamos a foto de um embrião igual a ilustração que fiz:


 De acordo com os critérios que mencionei acima, os embriões são classificados em 4 diferentes graduações, A - B - C e D, veja abaixo o que significam:

- Grau A: É um embrião EXCELENTE, não poderia estar melhor! Possui o número de células correspondente com o dia de seu desnvolvimento, células simétricas e possui no máximo 10% de fragmentação. Possui grande potencial de desenvolvimento até blastocisto.

- Grau B: É um embrião MUITO BOM! Possui o número de células correspondente ou próximo do que esperamos para o dia de seu desenvolvimento, possui células simétricas e possui no máximo 20% de fragmentação. Possui um bom potencial de desenvolvimento até blastocisto.

- Grau C: É um embrião BOM! Possui ou não, o número de células correspondente ao dia do seu desenvolvimento, possui células assimétricas e possui até 30% de fragmentação. Possui um potencial regular de desenvolvimento até blastocisto. 

- Grau D: É um embrião REGULAR! Geralmente não possui o número de células correspondente ao dia do seu desenvolvimento, possui células assimétricas e possui mais de 30% de fragmentação. Possui um potencial mais baixo de desenvolvimento até blastocisto, mas pode chegar.

 Vejam ilustração abaixo, percebam o numero de célula, a simetria e a fragmentação:

Quero só fazer uma observação, que esse é um critério apenas morfológico, não avalia se o embrião é genéticamente saudável ou não, também não quer dizer que vá ou não vá implantar e sim que existe maior ou menor probabilidade. Por exemplo, ja tive casos em que transferi 3 embriões de excelente qualidade em que tinha quase certeza que a paciente estaria grávida e não engravidou. Tive casos que transferi 1 embrião Grau D, que lamentei pois queria que a paciente engravidasse e adivinhem!??!?! ENGRAVIDOU!! Moral da história, quando tiver que ser - será e não sabemos nada perto da vontade de Deus!!!

Segue algumas fotos de embriões para voces tentarem classificar, quem quiser arriscar faz um post falando a classificação de cada uma das fotos... no final da semana eu coloco a resposta!!!

A-

B-


D -



Bom início de semana para todos!!! Força, coragem e fé!!! Não deixem faltar nunca isso!!! Só consegue quem acredita e quem tenta.

Abraços

quinta-feira, 27 de março de 2014

Técnicas de Obtenção de Espermatozóides em pacientes Azoospérmicos

Olá gente, tudo bem??

         Quando o resultado de um espermograma aparece: AUSÊNCIA DE ESPERMATOZOIDES e se recebe o diagnóstico de AZOOSPERMIA, significa que voce não produz espermatozóides certo?!?! Errado! Esse diagnóstico significa que voce não possui espermatozóides no ejaculado, mas pode ser que produza uma quantidade pequena de espermatozóides, basta sabermos onde procurá-los. Por isso hoje explicarei métodos de obtenção de espermatozóides em casos de azoospermia.

          A primeira coisa que se deve saber ao receber um diagnóstico como esse, é que voce deve repetir esse exame em um local especializado em Reprodução Humana, pois os laboratórios convencionais muitas vezes utilizam um método automatizado para a  realização do exame que possui limitações. Em uma clínica especializada, quando não achamos espermatozóides no exame convencional utilizamos um método de lavagem e centrifugação da amostra, assim concentramos tudo que houver na amostra para fazermos uma nova avaliação. Através desse método, já consegui encontrar espermatozóides em muitos casos em que não encontraram nos laboratórios convencionais.

        Segue uma foto abaixo para ilustrar a anatomia dos sistema reprodutor masculino, para que entendam melhor o que explicarei abaixo:




E quando não achamos espermatozóides no ejaculado na clínica de Reprodução Humana? Irei focar somente nas técnicas de obtenção de espermatozóides para o tratamento da infertilidade e não nas causas e tratamentos da azoospermia.

As técnicas de obtenção de espermatozóides são baseadas em buscarmos direto na "fonte" onde são produzidos ou armazenados, nos testículos e epidídimos, respectivamente.

Para azoospermias obstrutivas, que são aquelas causadas por uma obstrução no canal deferente que conduz os espermatozóides do epidídimo (local onde os espermatozóides são armazenados) para a uretra, como nos casos de agenesia do canal ou pacientes vasectomizados. Nesses casos, utilizamos a técnica de  Aspiração Percutânea de Espermatozoide do Epidídimo - PESA. O PESA, consiste em uma punção aspirativa com agulha fina (tipo de insulina) do epidídimo para pegar os espermatozóides que houverem ali. Veja ilustração abaixo do PESA:




Nos casos de azoospermias obstrutivas temos praticamente 100% de chances de recuperarmos espermatozóides e utilizá-los na técnica de ICSI para injetá-los nos óvulos, em alguns casos de azoospermias que chamamos de secretoras, conseguimos encontrar espermatozoides por essa técnica. É uma técnica relativamente simples, não precisa de sedação fazemos apenas anestesia local geralmente.

E se não encontramos no PESA, o que fazemos?
Partimos para a "fonte" onde são produzidos os espermatozóides, nos testículos! Utilizamos a Aspiração Percutanea de Espermatozoide dos Testículos - TESA. No TESA, usamos uma agulha mais grossa pois o objetivo é aspirar túbulos seminíferos dos testículos, pois dentro desses túbulos podemos encontrar os espermatozóides. 





Muitas vezes encontramos espermatozóides ainda imaturos, que estão terminando de serem formados, mas mesmo esses espermatozóides podem ser utilizados para fertilizar o óvulo através da técnica de ICSI. Entretanto, a taxa de fertilização com os espermatozóides imaturos é um pouco mais baixa e pode afetar um pouco a qualidade de alguns embriões, mas se a mulher conseguir ter um bom número de óvulos a chance de ter bons embriões para transferir é grande. A punção do testículo pode ser feita com uma anestesia local em toda a região e em casos de homens com alta sensibilidade para dor, recomendo a sedação.




E se não encontramos no TESA, tem mais alguma coisa que possa ser feita?
Sim!!! Ainda existe mais uma técnica que pode ser utilizada, é a Micro-TESE. Essa é uma técnica cirúrgica e invasiva, em que o paciente toma uma sedação geral e o médico cirúrgicamente chega até os testículos, com o auxílio de uma lupa consegue enxergar e retirar os túbulos seminíferos mais "gordinhos" e vascularizados que são mais propensos a encontrarmos espermatozóides. Há quem diga que se não encontrar no TESA não encontra na Micro-TESE e há quem diga o contrário. Eu acredito que a Micro-TESE é eficaz, inclusive participei de um estudo que em 2008 foi publicado em uma revista internacional, que encontramos espermatorzóides em 66% dos casos que foram para micro-tese com excelentes resultados de gravidez. Os espermatozóides encontrados, possuem as mesmas características do TESA e podem ser injetados pela técnica de ICSI.




As técnicas de TESA e Micro-TESE, são técnicas muito utilizadas nos casos de azoospermias secretoras ou não obstrutivas, que são aquelas em qua há uma deficiência da produção dos espermatozóides e representam 70% dos casos de azoospermia.  As causas desse tipo de azoospermia são variáveis: alterações hormonais, alterações testiculares, criptorquidismo, alteração genética, infecciosa, pacientes que fizeram quimioterapia ou radioterapia; ou sem causa aparente.

 E se não encontrarmos na Micro-TESE, ainda é possível engravidar???
Sim!!! Utilizando espermatozóides de doador. Esse é um tema que quero abordar com cautela e dedicarei um único post para conversarmos a respeito.

Se quiser saber sobre uma possível causa de azoospermia, leia mais em: http://www.embryoforlife.blogspot.com.br/2014/03/infertilidade-masculina-fatores.html
http://www.embryoforlife.blogspot.com.br/2014/02/infertilidade-masculina-alteracoes.htm
http://www.embryoforlife.blogspot.com.br/2014/02/infertilidade-masculina-varicocele.html

Por hoje é isso pessoal!!! Qualquer dúvida estou sempre a disposição, respondo todos os e-mails. 

Um Abraço!! Fiquem com Deus!

terça-feira, 25 de março de 2014

Técnicas Complementares: Hibridização Genômica Comparativa - CGH array

Bom dia gente!! Tudo bem?? Vamos aqui falar sobre mais uma e mais recente técnica complementar ao tratamento da infertilidade: A HIBRIDIZAÇÃO GENOMICA COMPARATIVA - CGH. Mas o que é isso??? Através dessa técnica fazemos uma varredura nos 24 cromossomos, detectando mesmo as menores alterações genéticas. Leia mais abaixo!

O CGH-array é uma importante ferramenta no Diagnóstico Genético Pré-implantacional na tentativa de selecionar os embriões mais propensos a ter um cariótipo normal e, conseqüentemente aumentar a probabilidade de implantação e de desenvolvimento em uma criança saudável.

Trata-se de uma recente técnica disponível no Brasil a partir de 2010, tendo sido aplicada com sucesso pela primeira vez em uma paciente de 38 anos de idade, com falhas repetidas de implantação após diversas tentativas de fertilização in vitro e já havia realizado análise genética dos embriões em ciclos anteriores de apenas 5 cromossomos pela técnica de FISH que foram transferidos aqueles considerados sem alterações, porém sem sucesso de gravidez. A análise CGH em blastômeros biopsiados encontrou um em cinco embriões como normal para todos os cromossomos. Este embrião foi transferido e resultou no nascimento de um bebê saudável.


A fim de manter as taxas de gestação satisfatórias e reduzir o número de embriões transferidos, é essencial identificar os embriões com maior potencial para a formação de uma gravidez e garantir que esses embriões sejam uma prioridade na transferência. Atualmente, a decisão de quais embriões serão utilizados é feita com base na sua capacidade de crescer até o estágio de blastocisto e nos critérios morfológicos analisados pelo embriologista. Infelizmente, essas análises não fornecem informações sobre o número de cópias cromossômicas, que é um dos aspectos mais importantes na viabilidade embrionária. Sabe-se que cerca de 37% dos embriões trissômicos atingem o estágio de blastocisto e 70% dos embriões morfologicamente normais são aneuplóides.

A maioria dos erros cromossômicos é incompatível com a implantação ou o nascimento e, portanto previstos para afetar negativamente os tratamentos de reprodução assistida.

A hibridização genômica comparativa é uma técnica ideal para o diagnóstico genético pré-implantacional, pois realiza o cariótipo completo de todos os 46 cromossomos, fornecendo uma ferramenta poderosa para uma análise confiável de aneuploidias em oócitos e embriões e, permitindo a transferência de embriões “competentes”, podendo aumentar a taxa de gestação em até 80%.

Como é realizada esta técnica?
Para aplicação desta técnica é necessária a realização da biópsia do embrião em estágio de blastocisto (embrião no 5º dia de desenvolvimento) em que são retiradas algumas células que dariam origem a placenta (trofodérmicas) sem afetar as que dariam origem ao feto e sem prejudicar o desenvolvimento do embrião e da placenta.

Em 30 horas temos o resultado da análise realizada em todos os cromossomos dos embriões biopsiados, aqueles considerados normais serão transferidos.






Indicações da técnica de CGH?
- Mulheres com idade >37 anos;
- Paciente com histórico de alterações genéticas na família;
- Casais de FIV com falhas repetidas no tratamento;
- Mulheres com histórico de abortos repetidos;

Limitações da técnica
Nem todos os embriões produzidos no laboratório chegarão ao estágio de blastocisto, estudos revelam que aproximadamente um em cada 3 embriões terão competência para o desenvolvimento até o quinto dia, ou seja, a aplicação desta técnica é geralmente limitada a um número baixo de embriões ou pode nem ser realizada pois nenhum pode chegar até blastocisto devido essa seleção natural.

Como já citado anteriormente, estudos revelam que cerca de 70% dos embriões morfologicamente normais podem apresentar alterações cromossômicas, sendo assim corre-se o risco de realizar o CGH e todos embriões analisados serem alterados cromossomicamente.


Portanto, é importante que o casal esteja ciente que nessas duas situações pode-se não ter embriões para transferência, no entanto, este fato relaciona-se a uma antecipação de um resultado negativo de gravidez caso fossem transferidos os embriões.

Abraço! Fiquem com Deus!

segunda-feira, 24 de março de 2014

Relato de Caso: Casos em Curitiba - PGD

Bom dia Gente, tudo bem? Como passaram o final de semana?

Conforme falei no IG na sexta, fui chamado para realizar dois casos de biópsia embrionária para fazermos a avaliação genética dos embriões antes de serem transferidos. Compartilho com voces a história dessas duas pacientes que são interessantes.

Primeira paciente, tem 41 anos e está na sua segunda tentativa. Na primeira tentativa, ela fez o PGD dos embriões, de 6 embriões que ela teve 5 tinham alterações e o único saudável não teve um bom desenvolvimento até o dia da transferência. Mesmo assim foi transferido 1 embrião mas ela não engravidou. Dessa vez, ela teve 4 embriões biopsiados e 3 desses estavam alterados. Mas o embrião saudável estava com uma boa qualidade e foi transferido. Agora é rezar por ela, para que dê certo!!!



Segunda paciente, esse é um caso bem interessante pois a mãe é portadora de rim policístico e ela não deseja que seu filho tenha a mesma doença. Essa doença acomete 1 em cada 1000 pessoas, é causada por uma mutação nos genes PKD1 ou PKD2. Nesse caso então, fizemos uma avaliação dos embriões para detectar quais seriam portadores dessa mutação pois dependendo da mutação a chance dos filhos herdarem a doença chega a 50%. Foram biopsiados e analisados 9 embriões, seis embriões estavam alterados e 3 eram saudáveis. Foram transferidos 2 embriões em boa qualidade. Agora é rezar por ela também para que dê certo!!!


Amanhã falarei de uma outra técnica complementar e ainda essa semana ensinarei a voces como fazemos para classificar os embriões e voces entenderem o que é um embrião A, B, C ou D.

Abraço!! Boa semana!! 

sexta-feira, 21 de março de 2014

Técnicas Complementares: Super ICSI

 Bom dia Gente, tudo bem? 

        Hoje  encerrando a semana , escrevo sobre um assunto que considero meio polêmico para a série de técnicas complementares da reprodução assistida - a SUPER ICSI. Muitas pacientes chegam na clínica, pedindo o uso dessa técnica pois viram na internet a respeito ou viram em sites de clínicas a divulgação dessa técnica. Pretendo aqui esclarecer, alertar e desmistificar sobre o que é essa técnica, aplicações e eficácia de seu uso. 

        A Super ICSI, tem seu nome técnico conhecido por: Injeção Intracitoplasmática de Espermatozóide Morfologicamente Selecionado - IMSI, que consiste na utilização de lentes especiais de alta magnificação que permitem um aumento de 6000 a 12500 vezes, na ICSI convencional utilizamos um aumento entre 200 e 400 vezes. Esse aumento com essas lentes especiais permitem uma melhor avaliação morfológica no momento da seleção dos espermatozóides, permitindo visualizar a presença de vacúolos na cabeça do espermatozóide que estariam relacionados a uma alteração na condensação do DNA dessa célula. 




      Muitas clínicas no Brasil aderiram a essa novidade, acreditando e "vendendo" a idéia de que essa é a solução para quem busca o tratamento, que com essa técnica as taxas de fertilização, qualidade dos embriões e gravidez são maiores. Mas quero aqui mostrar que não é bem assim que funciona.

     Para escrever esse artigo, fiz algo que não vi em nenhum site ainda, um levantamento de trabalhos científicos publicados em revistas internacionais de referência da área que se chamam: Fertility And Sterility e Human Reproduction, para mostrar que essa não é uma opinião desembasada e única e exclusivamente minha. Veja abaixo os estudos, pode ser que voces não entendam alguns termos técnicos, mas quero aqui mostrar o que os estudos dizem e no final dou um resumo das conclusões e  então chegarmos a uma conclusão:


Estudo publicado em 2007: Desenvolvimento do Embrião até o dia 5 e gravidezes após a ICSI ou a IMSI (SUPER ICSI) em paciente com falha prévia de implantação: estudo com oócitos irmãos
CONCLUSÃO: A IMSI pode ser considerada uma técnica útil para selecionar a forma normal do espermatozóide com poucos defeitos nucleares como vacúolos que reduzem a proporção de embriões que se desenvolvem ao estágio de blastocisto. O estabelecimento de um novo espermograma, é necessário para definir um limiar dos vacúolos do qual a IMSI será a técnica preferida em qualquer tentativa.




Estudo publicado em 2008: IMSI (SUPER-ICSI): é uma boa escolha após duas ou mais falhas de FIV ou ICSI?
CONCLUSÃO: Após ao menos duas falhas de FIV ou ICSI, a técnica de IMSI parece oferecer uma melhor taxa de fertilização com melhor qualidade embrionária no dia 2, que está associada a uma maior formação e transferência de blastocistos. Boas taxas de gravidez e resultados da IMSI podem ser explicados através dessas observações e apoiam o uso dessa técnica após repetidas falhas de FIV ou ICSI.




Estudo publicado em 2009: RESULTADO CLÍNICO USANDO A IMSI (SUPER-ICSI): ESTUDO PROSPECTIVO RANDOMIZADO
CONCLUSÃO: A seleção espermática usando a SUPER ICSI (IMSI) não tem um impacto positivo no resultado clínico tanto quanto os embriões que são transferidos em seus estágios de clivagem. Altas taxas de desenvolvimento e de melhor qualidade de blastocistos nos ciclos usando a IMSI podem refletir a contribuição positiva do genoma paternos nos estágios posteriores do desenvolvimento embrionário. O cultivo e a transferência de blastocistos podem proporcionar um melhor direcionamento para a avaliação dos benefícios clínicos usando a IMSI.




Estudo publicado em 2012: Vacúolos dos espermatozóides estão relacionados a sua capacitação e ao estágio do acrossoma
CONCLUSÃO: Apesar da IMSI ser benéfica para casais com indicações específicas no tratamento, os resultados desse estudo se mostram difícil justificar a aplicação da técnica em larga escala.




Estudo publicado em 2013: Será que a IMSI melhora o desenvolvimento embrionário? Estudo randomizado usando oócitos irmãos
CONCLUSÃO: A prevalência de vacúolos em espermatozóides de formas normais é inferior a 27.5%.  Uma aplicação de rotina da IMSI em pacientes não selecionados de Reprodução Assistida não pode ser defendida.


JUROOOOO QUE É O ÚLTIMO...RS

Estudo publicado em 2013: Será que a IMSI é efetiva em pacientes com infertilidade relacionada a teratozoospermia ou falhas repetidas de implantação?
CONCLUSÃO: A técnica de IMSI é uma opção valida para pacientes com teratozoospermia severa em sua orimeira ou segunda tentativa, mas ela não melhora as taxas de gravidez em pacientes com repetidas falhas de implantação com ICSI na ausência de fator masculino severo.


       Ufaaaaaa... acabei!!! Meio chato né ler todas essas coisas técnicas?!?! Tem muitos outros ainda que falam positivamente e falam negativamente também. Vamos finalizar o assunto então com um resumo dos artigos e junto minha opinião sobre o assunto.

        A Super ICSI ou IMSI como é chamada técnicamente, pode ser útil em alguns casos muito específicos como por exemplo pacientes com alteração severa de morfologia dos espermatozóides ou em casos com falha total de fertilização ou de implantação em tentativas anteriores. O uso dessa técnica parece melhorar as taxas de fertilização e qualidade embrionária. Entretanto, se voce em seu tratamento possui uma boa taxa de fertilização e produz embriões de boa qualidade, que chegam ao estágio de blastocisto, não será a SUPER ICSI que te fará engravidar. Essa técnica permite uma melhor avaliação dos espermatozóides e o que a maioria das clínicas dizem é que permite visualizar a presença de vacúolo na cabeça do espermatozóide, mas quem foi que disse que esse vacúolo é ruim? Um dos estudos que coloquei aqui, publicado por um grupo renomado na área, afirma que a presença dos vacúolos está relacionada a uma reação fisiológica normal do espermatozóide, que é quando ele está capacitado para fertilizar o óvulo, ou seja, essa justificativa vai por água abaixo.

         Vale lembrar que o fato de selecionarmos um espermatozóide morfológicamente normal não significa que o mesmo ou embrião será livre de alterações genéticas. Cerca de 90% das alterações genéticas vem do óvulo, 8% do espermatozóide e 2% de falhas do desenvolvimento do embrião.

      Particularmente, já trabalhei com a Super ICSI e hoje não trabalho mais, fiz um teste que selecionei 200 espermatozóides com lentes normais ( aumento de 200x) e depois olhei os mesmos espermatozóides com as lentes especiais (aumento de 6000x), de duzentos que selecionei apenas 5 estavam alterados. A conclusão que tirei com isso, somado aos resultados que tenho atuais só com a ICSI, é que a experiência do embriologista é fundamental e se sobrepõe a essa técnica.

       Já vi também gente que pede espermograma com essas lentes especiais, isso não serve de nada e só vai te custar mais caro. 

       Pra finalizar, sugiro a quem ainda tem dúvidas do que eu disse que entre nos sites de clínicas de fertilização dos Estados Unidos e Espanha, muitas clínicas lá são referências mundial e nos sites que entrei dos grandes nomes do universo da Reprodução Assistida, nenhum deles falava em Super ICSI. Por que será? Eles não usariam isso lá se fosse realmente eficaz??

Veja alguns sites abaixo:

- http://www.advancedfertility.com/icsi.htm
- http://www.ivi.es/pacientes/tecnicas-reproduccion-asistida/icsi/
- http://www.atlantainfertility.com/in-vitro-fertilization-ivf.html
- http://www.houstonivf.net/


Abraço, Fiquem com Deus!!! Tenham um bom final de semana!!






quinta-feira, 20 de março de 2014

Técnicas Complementares: Diagnóstico Genético Pré-implantacional - PGD

Bom dia Gente!! Tudo bem?? Continuando a série de técnicas complementares, falarei hoje de um assunto muito interessante o PGD. Geralmente quando "engravidamos" o maior medo que temos é: será que meu filho é saudável? será que ele é normal geneticamente? Com essa técnica podemos selecionar o embrião geneticamente saudável para ser transferido para o útero. Leia o texto abaixo para mais informações..

Graças aos recentes avanços no campo da fertilização in vitro (FIV), onde centenas de bebês saudáveis vieram ao mundo por meio desta nova tecnologia e ao avanço extraordinário da ciência da reprodução humana, hoje pode-se proporcionar tranqüilidade e segurança aos casais que, por diversos motivos, precisam certificar-se da qualidade da saúde ou mesmo do sexo dos embriões que serão implantados no útero através desta moderna e promissora técnica que permite realizar o diagnóstico genético de gametas e embriões antes mesmo de sua implantação no útero materno.



Para a realização desta análise genética, é necessário realizar a biópsia do embrião, processo pelo qual se faz uma pequena abertura com LASER e se retira uma célula (blastômero) do embrião em terceiro dia de vida laboratorial que apresenta-se com 8 células. A retirada dessa célula não causa prejuízo ao desenvolvimento do embrião e permite assim analisar se aquele embrião possui ou não alteração genética. (Veja o vídeo da biópsia abaixo)




Após a retirada, o blastômero é então fixado em uma lâmina para a avaliação citogenética com uso de duas metodologias: a hibridização por fluorescência in situ (FISH) que identifica principalmente alterações cromossômicas, e a Reação em Cadeia da Polimerase (PCR) capaz de identificar alterações gênicas.


Atualmente o PGD tem sido utilizado também como um esforço de melhorar as taxas de gestação ao identificar os embriões que são cromossomicamente normais, sabe-se que aproximadamente 50% dos embriões produzidos em laboratório apresentam uma alteração cromossômica, sendo maior esse número em pacientes com idade reprodutiva avançada (>37 anos).


Portanto, o PGD é um teste capaz de diagnosticar desordens genéticas de um embrião antes da concepção da gestação. Assim sendo, além de melhorar os resultados da FIV, também auxilia casais com risco reprodutivo a ter filhos livres da doença.

A técnica de PGD, ou biópsia embrionária, contempla as seguintes finalidades terapêuticas:

·         O sexo de um embrião pode ser confiavelmente determinado, dessa forma, doenças ligadas ao sexo podem ser determinadas e evitadas.

·         Determinação e prevenção das doenças ligadas ao cromossomo X, como a hemofilia, a distrofia muscular de Duchenne e o retardo mental ligado ao cromossomo X (síndrome do x frágil).


·         Determinação das aneuploidias (erro no número de cromossomos) – a mais conhecida é Síndrome de Down em que o embrião possui um cromossomo 21 a mais, estima-se que a incidência dessa doença seja de 1/660 nascimentos, para mulheres com idade de 40 anos é de 1/110, em idade de 45 é de 1/32 e aos 49 de 1/11.  Outras aneuploidias também podem ser detectadas.

·         Doenças gênicas também podem ser prevenidas, como a fibrose cística (alteração no cromossomo 7), a doença de Tay-Sachs (predominante em famílias judias), a anemia falciforme e outras centenas de patologias.






Um Abraço!! Fiquem com Deus!